O programa Saia Justa veiculou uma reportagem sobre um tal "New Behaviorismo". Depois de apresentar porcamente o que seria o behaviorismo - vide vídeo abaixo, nem vou falar muito -, Lúcia Guimarães, a apresentadora com fumaças de psicóloga, diz que as pessoas estão voltando a tentar se conformar aos padrões, como o que o behaviorismo teria tentado fazer. Daí vem o conceito de "desemperramento" da entrevistada Susan Schuman, e mais um monte de bobagens auto-ajuda em que confesso que prestei pouca atenção. (Ela nem fala de behaviorismo em si - e não me parece que fala recorrentemente sobre isso, mas fala dos arquétipos, nem sei se junguianos ou o que diabos ela tá tentando dizer - enfim, o problema é outro).
Behavioristas radicais, estes seres temíveis.
Com os erros do começo já deu pra ir se indignando e mandando uma cartinha amigável pro GNT. Segue o link do vídeo aqui e a nota que enviei para o Saia Justa:
O Google Hangout é uma ferramenta que permite realizar bate-papos entre pessoas por vídeo. Ontem, eu e mais uma galera de behavioristas de diferentes pontos do país nos utilizamos dessa ferramenta muito legal para o primeiro Boteco Behaviorista. A ideia é fazermos uma espécie de videocast debatendo temas comuns de Análise do Comportamento, que pode inclusive ser acompanhado ao vivo.
O tema do primeiro hangout foi "Expectativas para o XXI Encontro da ABPMC". Era um teste pra gente ver se ia dar certo - pretendemos nos organizar melhor nos próximos pra falar de temas teóricos, inclusive, e avisar com antecedência quando vai rolar. Daí, falamos sobre o que estamos querendo ver no Encontro, sobre apresentações que serão feitas, e claro, sobre as festinhas que irão acontecer; mas saiu de tudo, desde descobertas de trabalhos acadêmicos com referência da Desciclopédia até comentários sobre os eventos passados.
Enquanto uns guardam grana pro Lollapalooza a gente investe na nossa Convenção das Bruxas
Os participantes desse hangout fomos eu, o Cesar A. A. Rocha, o Esequias Neto (meu chefe do Comporte-se), o Felipe Epaminondas (do Psicológico), o Marcelo Souza e a Natalie Brito (meus companheiros de Comporte-se também) e o Nicolas Rossger. Como dito no vídeo, pretendemos convidar novas pessoas a cada encontro, além de figurões da Análise do Comportamento, pra debater com a gente. Fiquem de olho, que daí vai sair coisa legal :)
Ocorre a maior polêmica sobre TDAH existir enquanto categoria psicopatológica bem definida ou não. Eu vou me abster de dizer o que eu acho (um dia escrevo sobre isso, prometo), mas enquanto isso, vem se falando muito a respeito desse assunto.
O analista do comportamento Jan Luiz Leonardi deu uma entrevista no mês passado sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade para o programa Mulheres, da TV Gazeta. Como é raro ver um psicólogo se expressando bem e falando de comportamento sem falar bobagem, achei massa e resolvi postar aqui.
Jan aponta aspectos importantes do novo transtorno-modinha (já foi o stress, depois a bipolaridade, depois depressão, agora todo mundo tem TDAH): quando se preocupar, o que é o tratamento, qual é a da famosa Ritalina, quais os sinais mais frequentes etc. e marcou uma coisa fundamental: só vale falar em transtorno quando a coisa interfere na vida do sujeito, atrapalha, prejudica a interação com o mundo.
Tem muita paródia de consultório psicológico por aí. Umas sem graça - subsidiadas pelo que as pessoas ACHAM que é a psicologia, confundindo psicologia com psicanálise, psiquiatria, etc. - mas outras me fazem rir demais. É o caso dessa esquete do Comédia MTV, que costuma ser muito engraçado ao brincar com estereótipos e aqui não foi diferente ao retratar a psicóloga Dra. Werneck.
"Também não vamo dizer 'ah, a psicóloga falou, tem que respeitar', como se... tendeu? Não é a minha opinião que vai ditar... vamos supor"
Conheço várias que devem atender mais ou menos assim, que cursaram "A arte de falar, falar e não dizer porra nenhuma" I, II e III na faculdade com pós-graduação em lero-lero. rs Tem também quem diga que essas metáforas aí são a cara da ACT, maldade. hahaha
Tá rolando há alguns dias pelo Facebook e blogs behecas um videozinho de uma variação muito legal de um experimento na caixa de Skinner utilizando os princípios da análise do comportamento.
O pessoal da Oslo & Akershus University College começou com os conceitos básicos (operação estabelecedora de privação, modelagem, reforçamento diferencial...), enfim, tudo aquilo que se vê nas práticas de Psicologia Experimental em boa parte das faculdades, até que alguém teve a brilhante ideia de acrescentar um mecanismo que fizesse a sequência de barras a serem pressionadas pelo ratinho gerar música. E música deixa tudo melhor, então, por que não?
"We don't need no education..."
Mostre isso para aquele seu amigo que nunca conseguiu tocar duas notas seguidas na guitarra e sacaneie. Ou se ofereça pra ensiná-lo com o poder do super behaviorismo radical, assim como ensinaram o ratinho.
The Big Bang Theory é uma série mais que hype no momento. Fazendo parte da catalisação da moda nerd que rola atualmente ("smart is the new sexy", como diz o personagem Wolowitz num episódio), o seriado traz gags hilárias recheadas de assunto desse estranho mundinho. Tem de tudo: de física avançada a cosplays tosquíssimos de personagens de quadrinhos, passando por madrugadas do RPG e as dificuldades com relações sociais, tão clássicas no nosso meio.
No episódio "The Gothowitz Deviation", da terceira temporada, uma das esquetes traz o Sheldon tentando modificar o comportamento da vizinha Penny por meio de reforçamento positivo. Veja:
Encontrei por acaso no Youtube o documentário da coleção Grandes Educadores sobre o Behaviorismo Radical de Skinner, conduzido pela profª. Martha Hübner. O documentário está dividido em 9 partes e apresenta de forma bem simples e didática (algumas vezes com algumas simplificações meio doloridas pra nós que temos preocupação com a nossa linguagem já tão pouco compreendida... mas nada muito problemático) a maioria dos conceitos básicos do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento.
Pode ser que o vídeo já seja conhecido da maioria - não é novo, datando de 2010 -, mas para quem ainda não viu, aí está a indicação. As outras 8 partes do documentário estão nos links de vídeos relacionados. Para educadores e interessados na área de ensino e linguagem, ainda vale muito a pena, pois a Martha fala bastante desses temas, sendo a referência no assunto que é. Fica a dica. :)
Nesta semana, o Livres Pensadores lançou a campanha Em Defesa do Estado Laico. Os internautas foram convocados a se manifestar sobre esse tema - o tal Estado Laico que existe, afinal de contas, tão virtualmente quanto esta blogueira que vos fala.
Qualquer um que pare pra pensar por mais de cinco minutos sabe que Estado Laico de cu é rola. Não existe essa proclamada laicidade e não existe liberdade de crença no Brasil. Crenças religiosas que não são compartilhadas por todos acabam ditando até onde a liberdade de todos os cidadãos de um país pode ir.
Legislação do aborto e das políticas em relação à sexualidade são os temas mais óbvios quando se vai pensar nisso. Há anos e anos a discussão sobre tais esferas emperra quando se aproxima da crença de uns e outros. Uma mulher pode ser obrigada a carregar um filho na barriga por nove meses, mesmo sabendo que ele morrerá logo após o nascimento. Um casal pode viver junto por anos e construir patrimônio em conjunto, para que depois sua união não seja reconhecida e o dinheiro vá para outros que muitas vezes fizeram parte da banda que discriminou.
No entanto, existem outras nuances. Religiões gozam de privilégios fiscais e recebem incentivos do governo, que não são estendidos nem a todos os cidadãos, nem a todas as religiões. E todos esses acontecem sem muito alarde, por debaixo do pano. Algumas são favorecidas enquanto outras chegam a ser perseguidas.
Algum tempo atrás, quando eu ainda flertava com a Psicanálise, sempre que passava pelo templo da Igreja Universal do Reino de Deus aqui de Salvador - gigantesco, por sinal -, meu ex-namorado brincava comigo: "Olha aí os seus concorrentes!". Obviamente ele estava me sacaneando, mas me incomodava às vezes perceber que ele estava certo. Em muito, o trabalho de igrejas se confunde com certos tipos de trabalhos que certos psicólogos fazem. "Ajuda", "compreensão", "desenvolvimento da auto-estima", e para alguns, até "cura de males físicos e espirituais".
Em alguns pontos, é bem difícil separar algumas abordagens psicológicas de uma religião. Muitas são pautadas na autoridade dos seus criadores, tornando tudo o que falam verdade, contanto que seja dito de uma forma poética e encantadora. Críticos são expulsos e o desenvolvimento de novas teorias depende quase que exclusivamente de momentos de epifania de uns e outros.
Diante dessa bagunça que é a Psicologia, não me impressionou nem um pouco ver um vídeo como esse e concluir que, infelizmente, em algumas coisas o cara está falando a verdade.