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domingo, 2 de setembro de 2012

[Tirinha] Savage Chickens - Como curar a sua aracnofobia utilizando a dessensibilização sistemática


O Savage Chickens é um site de tirinhas desenhadas em post-its pelo seu criador, Doug Savage. O site inteiro é muito bom, mas ele tem várias tirinhas em que aborda temas relacionados à psicologia, que me fazem rir mais ainda. Some english is needed, mas vale a pena conferir sempre.

A tirinha mais acessada do site é sobre dessensibilização sistemática, mas com uns passinhos a mais, um pouco diferentes do que o pessoal da modificação de comportamento conhece.

(original aqui)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Jan Luiz Leonardi falando sobre TDAH na TV Gazeta

Ocorre a maior polêmica sobre TDAH existir enquanto categoria psicopatológica bem definida ou não. Eu vou me abster de dizer o que eu acho (um dia escrevo sobre isso, prometo), mas enquanto isso, vem se falando muito a respeito desse assunto.

O analista do comportamento Jan Luiz Leonardi deu uma entrevista no mês passado sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade para o programa Mulheres, da TV Gazeta. Como é raro ver um psicólogo se expressando bem e falando de comportamento sem falar bobagem, achei massa e resolvi postar aqui. 


Jan aponta aspectos importantes do novo transtorno-modinha (já foi o stress, depois a bipolaridade, depois depressão, agora todo mundo tem TDAH): quando se preocupar, o que é o tratamento, qual é a da famosa Ritalina, quais os sinais mais frequentes etc. e marcou uma coisa fundamental: só vale falar em transtorno quando a coisa interfere na vida do sujeito, atrapalha, prejudica a interação com o mundo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Curso de Introdução à Terapia Analítico Comportamental em Salvador-BA

Pra quem estiver em Salvador esse semestre, recomendo o curso abaixo. Aninha e Rodrigo foram meus professores e os dois são foda, com o perdão da expressão, mas enfim, o curso vale todos os dinheiros investidos.

Como o nome diz, é um curso introdutório, então não forma terapeutas, mas dá uma ótima ideia de como é trabalhar com a clínica comportamental e de como os conceitos que vemos na graduação se aplicam nessa área. E tanto Aninha quanto Rodrigo têm uma paciência de jó pra tirar dúvidas, então dá pra arrancar o couro dos dois sem dó. 


sábado, 28 de janeiro de 2012

[Vídeo] Psicóloga - Dra. Werneck

Tem muita paródia de consultório psicológico por aí. Umas sem graça - subsidiadas pelo que as pessoas ACHAM que é a psicologia, confundindo psicologia com psicanálise, psiquiatria, etc. - mas outras me fazem rir demais. É o caso dessa esquete do Comédia MTV, que costuma ser muito engraçado ao brincar com estereótipos e aqui não foi diferente ao retratar a psicóloga Dra. Werneck.

"Também não vamo dizer 'ah, a psicóloga falou, tem que respeitar', como se... tendeu? Não é a minha opinião que vai ditar... vamos supor"

Conheço várias que devem atender mais ou menos assim, que cursaram "A arte de falar, falar e não dizer porra nenhuma" I, II e III na faculdade com pós-graduação em lero-lero. rs Tem também quem diga que essas metáforas aí são a cara da ACT, maldade. hahaha

domingo, 15 de janeiro de 2012

Um pouco sobre a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

Se você freqüentou algum evento sobre Análise do Comportamento no último ano, provavelmente ouviu falar da Terapia de Aceitação e Compromisso (no inglês, Acceptance and Commitment Therapy, ou ACT, sigla bem sonora por sinal, lida como uma palavra e não como letras em separado). A ACT é uma das linhas de terapia da chamada terceira onda da Terapia Comportamental, que une as técnicas da modificação de comportamento utilizadas desde os primórdios da terapia baseada nas descobertas em laboratório a descobertas mais recentes sobre o papel da cognição e da emoção no processo clínico e na vida cotidiana (Hayes, Luoma, Bond, Masuda & Lillis, 2006).

Para muitos que conhecem apenas a base do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento, a ACT não se parece com nada disso. Como pode uma terapia que une um foco em emoções, pensamentos, ou seja, eventos privados – supostamente relegados pelos behavioristas a um segundo plano, como muitos ainda acham – a preceitos budistas e belas metáforas sobre o sentido de nossas experiências humanas ser uma terapia comportamental, daquelas que renega a existência da mente como instância controladora das nossas ações e se baseia em leis aplicáveis tanto a ratinhos simpáticos quanto a humanos, com toda a sua complexidade incomparável?

Steven C. Hayes, principal nome da ACT

A ACT tem a sua base empírica assentada na chamada Teoria dos Quadros Relacionais (Relational Frame Theory, ou RFT), originada das pesquisas experimentais de Steven Hayes e sua equipe na área de linguagem e cognição (Hayes & Pistorello, 2011). Basicamente, a RFT analisa as relações entre estímulos, ampliando os estudos de equivalência em que Sidman se aprofundou durante suas pesquisas1 (Sério, Andery & Micheletto, 2008). As relações arbitrárias que emergem entre os estímulos no decorrer das nossas experiências ampliam nossa forma de se comportar frente a contingências que a princípio não tinham relação direta. Isso é muito importante para que possamos reagir efetivamente ao mundo, mas pode criar problemas ao ampliar também a potencialidade de contingências aversivas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O transtorno de personalidade múltipla – uma visão analítico-comportamental

Muitos transtornos psicológicos são objeto de fascínio da população em geral. Os assim denominados transtornos de personalidade são parte de uma das categorias que mais desperta a atenção. Psicopatas, borderlines e narcisistas, entre outros, são fonte de diversas histórias e há tempos dão pano pra manga para as mais diversas discussões, sendo tema de livros, filmes, etc. Um dos transtornos mais curiosos talvez seja o transtorno de personalidade múltipla (MPD - Multi-Personality Disorder na sigla em inglês). 

O transtorno de personalidade múltipla é o diagnóstico que se aplica a uma pessoa que age, sente e lembra como se fosse mais de uma pessoa (Kohlemberg e Tsai, 1991), ou seja, tem vários “eus” em apenas um corpo, que pode ser visto inclusive de formas diferentes, como alguém de um outro sexo, de uma outra idade (de um idoso até mesmo a um bebê) e com características por vezes bastante diferentes do “eu” original, com preferências, formas de agir, habilidades, opiniões e mesmo lembranças e experiências até opostas às deste. Há algum ceticismo na comunidade psicológica sobre a existência desse transtorno como realmente um distúrbio isolado, dada a raridade da condição e mesmo a teatralidade inerente à esta, que exerce fascínio por si só e pode contribuir para a sua manifestação como tal. No entanto, podemos explicar o fenômeno a partir de uma visão analítico-comportamental. 

sábado, 8 de outubro de 2011

O diagnóstico em análise comportamental e o papel da Análise Funcional

Uma diferença que se nota da clínica em Análise do Comportamento para a de outras abordagens da Psicologia é que ela não se utiliza de um sistema classificatório nosológico - como na Psicanálise, onde se atribui no fim da análise uma estrutura neurótica, psicótica ou perversa (com possíveis variações dentro destes quadros) ao indivíduo, ou na Psiquiatria, que classifica perturbações psicológicas de acordo com o DSM (Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders, atualmente na quarta edição revista) e serve como apoio para outras linhas da clínica como a Terapia Cognitiva.

Tais sistemas não costumam ser usados porque não auxiliam o analista do comportamento nem no trabalho de investigação do histórico do paciente, nem no direcionamento do tratamento. Muitas vezes, a classificação de um cliente de acordo com uma lista de sintomas apenas irá obscurecer os dados mais importantes do caso. Portanto, usá-los, além de pouco útil, será talvez contraproducente.


Para usar um exemplo: alguém com depressão não se limita a apresentar os sintomas clássicos na frequência estabelecida pelo manual e, mais ainda, provavelmente as causas da sua condição atual são diferentes das causas da condição de uma outra pessoa com o mesmo diagnóstico. Talvez sua depressão se manifeste mais em alguns dias, em algumas situações, com algumas pessoas, e talvez até ela se sinta feliz em alguns outros dias, com algumas pessoas e fazendo algumas coisas. A classificação, sozinha, não dirá muita coisa. 

As classificações nosológicas podem até ser usadas como forma de diálogo com outras áreas, mas o instrumento de trabalho usado pelo analista do comportamento para identificar o que deve ser tratado na clínica e dar forma ao caso é a análise funcional (Meyer, 2003; Torós, 1997) ou análise de contingências (Ulian, 2007).

sábado, 20 de agosto de 2011

[Re-post] Discutindo a adesão a tratamentos: estudo contesta a eficácia do AA



Nesta semana, teve destaque na mídia uma pesquisa feita por uma equipe da Unifesp contestando a eficácia do tratamento contra o alcoolismo promovido pelo grupo dos Alcoólicos Anônimos (AA), muito conhecido no Brasil e iniciado nos Estados Unidos.

Os resultados da pesquisa mostraram que a taxa de abstinência dos freqüentadores do AA é de apenas 9% após seis meses de tratamento, em comparação com uma taxa de 10% entre aqueles que fazem tratamento medicamentoso e 36% entre aqueles que fazem tratamento medicamentoso combinado com terapia. Entre os motivos para a falta de adaptação, estariam a pouca identificação com a filosofia de tratamento do AA, o clima do grupo e mesmo uma certa “demagogia” (veja aqui). Alguns psiquiatras e representantes do AA, após a divulgação da pesquisa, já vieram a público contestar os resultados (aqui).




O estudo em questão trouxe à tona um tema bastante discutido na literatura de saúde, que é a adesão ao tratamento. Por que será que algumas pessoas aderem com tanta facilidade ao tratamento, seja ele farmacológico, terapêutico, psicológico, etc., e outras não conseguem levá-lo adiante?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

[Tirinha] Psicologia em São Lázaro

Estudante de faculdade pública sofre com certas coisas. Psicologia, então, nem se fala. Historicamente, é um curso bem "deixado de lado" - curso de humanas que não gera produtos vendáveis (não cria novos remédios, empresas gigantescas, bombas nucleares nem máquinas mortíferas em geral). Geralmente, a estrutura é precária.

Meu curso é um bom exemplo disso. Não temos laboratório de psicologia experimental, nem uma sede para chamar de nossa (o curso está alocado na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, mas não mais pertence a esta) e o serviço de Psicologia tem lugar num prédio pré-moldado que cai aos pedaços desde muito antes de eu começar meus "estudos da alma". A FFCH, por sua vez, fica no campus mais isolado da faculdade e, honrando o apelido de São Lázaro (que tem uma história mais complexa, a se contar quem sabe outro dia), abriga vários cachorrinhos que lá são abandonados. Isso quando não aparecem, como já ocorreu, outros animais perdidos para assistir as aulas com a gente (cobras, carneiros, galinhas, e o famoso cavalo).

Como é rir pra não chorar, uma amiga minha, Inis, e eu tivemos o ~insight~ (adoro essa palavra: ~insight~) da tirinha abaixo.



Piada muito explicada perde a graça, até porque só quem estuda lá vai captar a idéia. Mas já vale a intenção. :P

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E o que tem? - Psicólogos discutem regras para orientação pela internet

O CFP (Conselho Federal de Psicologia) está revendo as regras da orientação psicológica feita pela internet. A entidade não tem dados sobre o número de usuários, mas diz que há uma demanda crescente por esse serviço, regulamentado desde 2005.

A orientação on-line é feita em poucas sessões, para ajudar a resolver uma queixa específica, como problemas escolares dos filhos ou uma separação. Segundo Carla Biancha Angelucci, presidente do CRP-SP (Conselho Regional de Psicologia de São Paulo), nesse caso não há vínculo como na psicoterapia, esta sim proibida de ser feita pela internet, a não ser em pesquisas acadêmicas.

A psicóloga afirma que o conselho quer definir maneiras de garantir o sigilo do atendimento na internet e estabelecer as formas de atendimento (como e-mail, MSN, Skype e similares).
"Queremos atualizar o texto, que é genérico, porque alguns tipos de comunicação audiovisual não estavam consolidados na época", diz. Também está na pauta do conselho paulista estabelecer o número máximo de troca de mensagens.

Hoje, psicólogos oferecem diferentes quantidades de sessões on-line. Em uma pesquisa em dez sites, foram encontrados limites que variam de quatro trocas de e-mails a 20 atendimentos de cerca de 50 minutos por MSN.

sábado, 2 de julho de 2011

Psicologia Baseada em Evidências

Você provavelmente já ouviu falar na Medicina Baseada em Evidências. É uma prática bastante disseminada na área médica a de escolher tratamentos para determinadas doenças, com base em estudos que demonstrem evidências de resultados satisfatórios. O que poucos sabem, no entanto, é que existe também um movimento a favor da Psicologia Baseada em Evidências em saúde pública.

A Psicologia Baseada em Evidências - PBE (no original, Evidence-Based Practice in Psychology, ou EBPP) tem sido objeto de atenção há alguns anos da American Psychological Association (APA) – que organizou uma força-tarefa em 2005, com o intuito de reunir e divulgar práticas em Psicologia apoiadas em evidências científicas demonstradas na literatura, bem como de fomentar estudos que tragam subsídios para a atuação dos psicólogos e psicólogas. No Brasil, o primeiro livro sobre o assunto será lançado em agosto deste ano.