quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Jan Luiz Leonardi falando sobre TDAH na TV Gazeta

Ocorre a maior polêmica sobre TDAH existir enquanto categoria psicopatológica bem definida ou não. Eu vou me abster de dizer o que eu acho (um dia escrevo sobre isso, prometo), mas enquanto isso, vem se falando muito a respeito desse assunto.

O analista do comportamento Jan Luiz Leonardi deu uma entrevista no mês passado sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade para o programa Mulheres, da TV Gazeta. Como é raro ver um psicólogo se expressando bem e falando de comportamento sem falar bobagem, achei massa e resolvi postar aqui. 


Jan aponta aspectos importantes do novo transtorno-modinha (já foi o stress, depois a bipolaridade, depois depressão, agora todo mundo tem TDAH): quando se preocupar, o que é o tratamento, qual é a da famosa Ritalina, quais os sinais mais frequentes etc. e marcou uma coisa fundamental: só vale falar em transtorno quando a coisa interfere na vida do sujeito, atrapalha, prejudica a interação com o mundo.

5 comentários:

  1. Aline, é muito complicado defender o tratamento sério de um transtorno quando os próprios psicólogos tratam como 'modinha' ou bobagem. O que precisamos melhorar é o diagnóstico para evitar os erros, mas compartilhar os argumentos do senso comum é complicado demais, é o que a galera dos "supostos transtornos" faz e deixa a discussão rasteira. O argumento do video-game, por exemplo, é uma bobagem. É lógico que a motivação é um fator fundamental para a melhora qualitativa da atenção nessas crianças, como em qualquer uma, mas mesmo assim ainda há a desatenção em crianças tdah e encontraríamos uma grande diferença entre estas e um grupo controle.

    Recentemente estou acompanhando pacientes Tdah e como elas se comportam diferente das outras crianças é incrivelmente visível. Tanto os desatentos (com seus erros de compreensão, aprendizagem etc.), quanto os hiperativos (difíceis até de manter na cadeira do consultório). Concordo que não há necessidade de um tratamento se o transtorno não estiver atrapalhando a vida, mas um acompanhamento é sempre bom. É preciso só lembrar que o transtorno não deixa de existir apenas por não estar sendo uma pedra no sapato. Fechar os olhos para isso é fazer como o pessoal da psicanálise, que para confirmar suas crenças, fecha os olhos para a quantidade de conhecimento científico que temos sobre ele, proveniente de dados muito concretos.

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  2. Marcus, suas críticas se alinham com a posição da neuropsicologia. As do vídeo, com as da AC. Eu, embora tenha dito que ia me manifestar num texto posterior, esclareço: não me alinho totalmente com nenhuma das duas.

    Acho um exagero dizer, por exemplo, que o transtorno por si não existe e que é só mais um conjunto de comportamentos. Há evidências pra defender que haja um substrato biológico importante.

    Por outro lado, acho irracional essa briga com a palavra "modinha". A ABDA vem fazendo uma campanha absurda, por exemplo, deturpando coisas. Outro dia, li uma reportagem que dizia que a prescrição de Ritalina no Brasil é a segunda maior, e que tinha coisa aí. E que o diagnóstico era difícil, cabendo portanto não confiar no primeiro malaco que passa ritalina pro guri. Foi o suficiente para que associações fizessem campanha pra mandar carta pro jornal que publicou, dizendo que a matéria "desrespeitava a dor dos filhos". Tenha paciência.

    Sobre as evidências, nunca fechei meus olhos. Tanto que fiquei em cima do muro. Sobre o videogame, p. ex.: existem tanto dados dizendo que crianças com TDAH se comportam diferente jogando, quanto dados dizendo que se comportam igual. Ambas tem respaldo em teorias neuropsicológicas. Não me é suficiente pra afirmar nada.

    Quanto ao acompanhamento ser sempre bom, concordo. Mas como você mesmo demarcou, tratamento é uma coisa, acompanhamento outra. No vídeo, ele diz que não há necessidade de tratamento se o caso não atrapalha a vida da pessoa, não de acompanhamento.

    Eu acho, sim, que há exagero na suspeita de casos. E que os casos são muitas vezes muito heterogêneos, mas a primeira suspeita, no caso de uma criança que se comporta mal ou de um adulto que se queixa de não prestar atenção, é sempre TDAH. Vejo um absurdo de casos completamente diferentes encaminhados ao ambulatório em que a primeira coisa que o neuro ou psiquiatra fala é que a suspeita é de TDAH. Se isso não é moda, não sei o que é. Felizmente, isso passa e logo os diagnósticos vão ficar mais apurados, mantendo os olhos abertos e os ouvidos ligados nas críticas, sem se apegar demais a o que é transtorno, normal, patológico, mental e comportamental ou o que o valha.

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  3. Psicólogo psicofóbico, ora, ora, mais esta agora? Modinha? Abra os olhos e perceba que a ciência avança "Dr" estresse é mentira, depressão é mentira, autismo? Se fôssemos um pais sério o senhor teria sérios problemas éticos"DR". Por favor apresente suas credenciais e estudos aceitos pela comunidade internacional sobre esta afirmação... Modinha sabe o que é (virou) atualmente? Profissionais ligados a saúde mental, que infelicita milhões de pessoas no mundo todo e segunda causa de afastamento do trabalho, espalhares boatos, mentiras, desinformação ao invés de fazer a sua parte que é muito importante no tratamento multimodal! LAMENTÁVEL "Doutor!"

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    1. Ivan, tive a impressão que você confundiu o Jan (que a apresentadora do Mulheres chama de doutor) comigo, autora do blog (que foi quem usou a palavra "modinha"). Pois bem, não somos a mesma pessoa.

      Para além das ameaças ("Se fôssemos um pais sério o senhor teria sérios problemas éticos 'DR'", por exemplo), você cometeu algumas falácias no intuito de convencer sua audiência a alguma coisa que não estou nem bem certa do que é (talvez que o TDAH exista, ou que não é divulgado demais, ou sei lá).

      Primeiro, ninguém disse que o TDAH é uma mentira. Nem eu, nem o psicólogo do vídeo.

      Segundo, quanto a "estudos aceitos pela comunidade internacional", apesar do tom de falácia de argumento de autoridade (é a "comunidade internacional" que tem o poder de arvorar verdades?), existem vários sobre TDAH, como mencionei antes, ter padrões distinguíveis, a depender do grupo testado, ou não. E isso não só na Análise do Comportamento, mas também na Neuropsicologia surgem estudos inconclusivos. O do videogame que eu citei é um deles. Fico devendo o nome do estudo, mas sei o nome de um dos autores. Posso te passar o nome por email se você entrar em contato.

      Enfim, não entendi muito bem o que você quer afirmar porque parece que você se ofendeu com algo que não ficou bem claro pra mim o que é. Se puder formular pra mim exatamente qual é a sua crítica ao que foi dito, posso responder com alguns textos (se for só pra ataque pessoal, dispenso).

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