segunda-feira, 4 de março de 2013

Os 100 anos do Behaviorismo


Você sabia que o behaviorismo está completando 100 anos em 2013?

Em março de 1913, a revista Psychological Review publicou o artigo "Psychology as the behaviorist views it", de autoria de John B. Watson. O artigo veio a ficar conhecido como o "Manifesto Behaviorista", em que Watson estabeleceu as bases para a abordagem, rejeitando vários dos pressupostos que a psicologia utilizava em sua ciência.

O behaviorismo veio a ser uma das maiores influências na Psicologia do século XX, provocando uma série de questionamentos e dando os fundamentos para várias das correntes que vieram a seguir, inclusive a chamada Psicologia Cognitiva - que veio de uma cisão no movimento, originando-se dos chamados behavioristas mediacionais como Edward Tolman e Clark Hull. Hoje, a corrente behaviorista dominante é o behaviorismo radical de Burrhus F. Skinner, que conserva algumas das críticas que Watson fez ainda no início da sua interpretação da ciência psicológica, mas traz diversos aspectos conceituais e aplicados bem diferentes dos do seu criador - embora ainda seja muito confundido com o antigo behaviorismo watsoniano.

Ficou curioso para ler o manifesto? Uma tradução se encontra disponível aqui.

Na imagem, alguns dos pensadores que ajudaram a construir o Behaviorismo no Brasil e no mundo. Você consegue identificar todos? ;)



(Texto originalmente publicado na página do Comporte-se no Facebook e disponível aqui)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Punição em 6 segundos

Um exemplo rápido do que é a punição positiva.

"Vôcotá po meu pai, tia" = contracontrole.

Se você é behaviorista e riu, vai para o inferno e lá terá que ler 2 textos de Lacan por dia para debates com o próprio.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

meu deus está vivo!!!11!!1!!1

O blog está parado desde outubro. Ando um pouco apartada dos estudos do behaviorismo radical há uns tempos graças a alguns motivo$ (a saber, estudo para concursos, onde cai porcaria nenhuma de behaviorismo - e quando cai, a dúvida que fica é se você responde a resposta certa ou a resposta errada que pra eles é certa, tipo "Watson foi o pai do Behaviorismo Radical").

E sim, isso existe. Por acaso está escrito em um dos livros-texto mais utilizados de psicologia cognitiva, o do Sternberg.

Enfim, é um hiato, mas juro que eu volto. Uma das promessas de 2013 foi continuar lendo sobre análise do comportamento e behaviorismo radical, nem que seja just for fun, e estou lendo um bom livro. É nóis.

sábado, 13 de outubro de 2012

Afinal, o que é esse tal Comportamento Verbal?

Quem se interessa por estudar Behaviorismo Radical e Análise do Comportamento fatalmente se encontrará com um dos temas mais caros à nossa abordagem, o famoso comportamento verbal. Skinner, paralelamente ao seu interesse de pesquisa sobre os princípios do comportamento como um todo, também era graduado em Letras, e não por acaso também enveredou por esse campo. Sua obra prima sobre o assunto, de mesmo título do conceito, foi duramente criticada mesmo fora do meio psi, sendo conhecida a crítica publicada do lingüista Noam Chomsky – critica nunca respondida formalmente por Skinner e que para muitos ainda representa a pá de cal do cognitivismo sobre o behaviorismo radical, uma espécie de marco da chamada Revolução Cognitiva (Justi e Araújo, 2004).

Dentro do próprio campo do Behaviorismo Radical a obra é considerada difícil. Skinner passou anos escrevendo Comportamento Verbal em paralelo a seus outros escritos – o livro teve uma primeira versão em 1934, mas só foi publicado, enfim, em 1957, após várias revisões e cópias já terem circulado no meio acadêmico (Skinner, 1957) e outros livros serem escritos no mesmo período, como Ciência e Comportamento Humano. 

O rosa-choque da discórdia. (O outro livro não tem relação alguma com ele, ok?)

A linguagem de Comportamento Verbal é truncada e, mais ainda, a tradução do livro para o português não é tida como das melhores – e o livro está esgotado atualmente, fazendo da tarefa de enfim aproximar-se dele e lê-lo um verdadeiro desafio. Além do mais, é uma obra essencialmente teórica. Skinner escreveu baseado em seus estudos do comportamento humano e aplicou princípios básicos que já observara em laboratório ao campo da chamada linguagem, mas estudos experimentais sobre o tema em si vieram apenas depois. Ainda hoje estamos destrinchando as possibilidades de investigação que o livro traz (Hubner, 2011). O próprio Skinner diz:

“A formulação será eminentemente prática e sugerirá aplicações tecnológicas imediatas. Apesar da ênfase não ser experimental nem estatística, o livro não é propriamente um livro teórico no sentido comum. Ele não recorre a entidades explicativas hipotéticas. O objetivo último é a previsão e o controle do comportamento verbal” (Skinner, 1957, p. 13).

Diante desse desafio todo, só nos resta meter a cara nos estudos e perguntar: afinal, que diabos é comportamento verbal? E não, a resposta não é tão simples como parece. Ou é?

“A categoria ‘comportamento verbal’ é nebulosa, sua definição é pobre em seus limites. A nebulosidade não é um problema, pois sublinha a similaridade entre comportamento verbal e outros comportamentos operantes. Mesmo que parte do nosso comportamento seja claramente não-verbal, e parte possa ser ou não verbal, o conceito de comportamento verbal inclui muito do que fazemos” (Baum, 2006, p. 141).

Descomplicando (ou tentando)...

sábado, 22 de setembro de 2012

De dar água na boca

Acho que se o Pavlov tivesse virado vendedor de cachorro-quente ele seria mais querido na Psicologia do que é hoje, coitado.



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Reportagem do Saia Justa sobre o "New Behaviorismo". Ma che?

O programa Saia Justa veiculou uma reportagem sobre um tal "New Behaviorismo". Depois de apresentar porcamente o que seria o behaviorismo - vide vídeo abaixo, nem vou falar muito -, Lúcia Guimarães, a apresentadora com fumaças de psicóloga, diz que as pessoas estão voltando a tentar se conformar aos padrões, como o que o behaviorismo teria tentado fazer. Daí vem o conceito de "desemperramento" da entrevistada Susan Schuman, e mais um monte de bobagens auto-ajuda em que confesso que prestei pouca atenção. (Ela nem fala de behaviorismo em si - e não me parece que fala recorrentemente sobre isso, mas fala dos arquétipos, nem sei se junguianos ou o que diabos ela tá tentando dizer - enfim, o problema é outro).

Behavioristas radicais, estes seres temíveis.

Com os erros do começo já deu pra ir se indignando e mandando uma cartinha amigável pro GNT. Segue o link do vídeo aqui e a nota que enviei para o Saia Justa:

domingo, 2 de setembro de 2012

[Tirinha] Savage Chickens - Como curar a sua aracnofobia utilizando a dessensibilização sistemática


O Savage Chickens é um site de tirinhas desenhadas em post-its pelo seu criador, Doug Savage. O site inteiro é muito bom, mas ele tem várias tirinhas em que aborda temas relacionados à psicologia, que me fazem rir mais ainda. Some english is needed, mas vale a pena conferir sempre.

A tirinha mais acessada do site é sobre dessensibilização sistemática, mas com uns passinhos a mais, um pouco diferentes do que o pessoal da modificação de comportamento conhece.

(original aqui)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Boteco Behaviorista #1 - Expectativas para a XXI ABPMC

O Google Hangout é uma ferramenta que permite realizar bate-papos entre pessoas por vídeo. Ontem, eu e mais uma galera de behavioristas de diferentes pontos do país nos utilizamos dessa ferramenta muito legal para o primeiro Boteco Behaviorista. A ideia é fazermos uma espécie de videocast debatendo temas comuns de Análise do Comportamento, que pode inclusive ser acompanhado ao vivo.

O tema do primeiro hangout foi "Expectativas para o XXI Encontro da ABPMC". Era um teste pra gente ver se ia dar certo - pretendemos nos organizar melhor nos próximos pra falar de temas teóricos, inclusive, e avisar com antecedência quando vai rolar. Daí, falamos sobre o que estamos querendo ver no Encontro, sobre apresentações que serão feitas, e claro, sobre as festinhas que irão acontecer; mas saiu de tudo, desde descobertas de trabalhos acadêmicos com referência da Desciclopédia até comentários sobre os eventos passados.

Enquanto uns guardam grana pro Lollapalooza a gente investe na nossa Convenção das Bruxas

Os participantes desse hangout fomos eu, o Cesar A. A. Rocha, o Esequias Neto (meu chefe do Comporte-se), o Felipe Epaminondas (do Psicológico), o Marcelo Souza e a Natalie Brito (meus companheiros de Comporte-se também) e o Nicolas Rossger. Como dito no vídeo, pretendemos convidar novas pessoas a cada encontro, além de figurões da Análise do Comportamento, pra debater com a gente. Fiquem de olho, que daí vai sair coisa legal :)

Página no Facebook pra acompanhar: https://www.facebook.com/BotecoBehaviorista

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Jan Luiz Leonardi falando sobre TDAH na TV Gazeta

Ocorre a maior polêmica sobre TDAH existir enquanto categoria psicopatológica bem definida ou não. Eu vou me abster de dizer o que eu acho (um dia escrevo sobre isso, prometo), mas enquanto isso, vem se falando muito a respeito desse assunto.

O analista do comportamento Jan Luiz Leonardi deu uma entrevista no mês passado sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade para o programa Mulheres, da TV Gazeta. Como é raro ver um psicólogo se expressando bem e falando de comportamento sem falar bobagem, achei massa e resolvi postar aqui. 


Jan aponta aspectos importantes do novo transtorno-modinha (já foi o stress, depois a bipolaridade, depois depressão, agora todo mundo tem TDAH): quando se preocupar, o que é o tratamento, qual é a da famosa Ritalina, quais os sinais mais frequentes etc. e marcou uma coisa fundamental: só vale falar em transtorno quando a coisa interfere na vida do sujeito, atrapalha, prejudica a interação com o mundo.

V Jornada de Análise do Comportamento de Jundiaí/SP

A Jornada de Análise do Comportamento de Jundiaí (JAC Jundiaí), promovida pela UniAnchieta, entra na sua quinta edição este ano. A JAC ocorre no dia 06 de outubro e, apesar de ser um diazinho só, conta com temas variados e profissionais de renome na programação - como a equipe do Núcleo Paradigma, Roberto Banaco, Denis Zamignani e Yara Nico, a profa. Martha Hübner, o prof. Robson Faggiani e vários outros.


Quem puder ir, vale a pena. O evento ainda vai contar com uma campanha para arrecadação de alimentos para doação em Jundiaí e uma premiação para os melhores painéis apresentados. Mais informações em http://jacjundiai.blogspot.com.br/