sábado, 15 de novembro de 2014

"Você é muito inteligente para uma mulher"

Antes de me reconhecer como feminista, eu ouvi essa frase e suas variações algumas vezes de pessoas com quem me relacionei ou que conheci. Naquela época eu sentia que tinha algo errado, mas não sabia o que era esse "algo". "Esse cara está me elogiando, mas por que eu não me sinto de todo bem com isso?". As variações foram coisas como: "Você é mais inteligente do que as mulheres que eu costumo conhecer"; "É que a maioria das mulheres é fútil e não liga pra essas coisas sobre as quais estamos conversando"; "Você é diferente das outras".

Demorou para eu perceber as asserções nas entrelinhas: 1) a mais óbvia é que se diz de outra forma "mulheres são burras"; 2) "seu valor aos meus olhos só surge enquanto você se destaca da categoria 'mulher', enquanto você é ~diferente~". Isso é problemático de diversas maneiras. Mais do que a frase encharcada de sexismo benevolente, fica a mensagem de que se você é mulher, por si só, precisa fazer algo para ~ser diferente~ para valer alguma coisa; ou, em outras palavras, precisa ser qualquer coisa que não seja "a mulher" segundo o conceito do cara machista. E não há nada de errado em ser mulher. Mas a gente compra essa às vezes.

Demorou para eu ouvir apenas "você é inteligente", e ponto. E, pelo que percebo, além de nós, mulheres, não percebermos por vezes qual o problema disso, tem cara que ainda acha que está elogiando para falar uma abobrinha dessas. Não, não é um elogio.

Se um cara falar isso pra você, gata, ele não está sendo fofo. Não está reconhecendo suas qualidades únicas. Run to the hills.

(textinho do meu facebook)

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